Quando
mudei da Rua Castro Alves, no Caminho de Areia, para o Bêco João do Boi, estava
com quatro para cinco anos de idade. Lá permaneci até os 25 anos, onde morava
com meu pai e minha avó paterna.
Era
uma avenida de casas simples, pequenas, pessoas humildes, festeira. Minha avó
era uma moradora que ajudava qualquer um que batesse em nossa porta.
Lembro
que não tínhamos água encanada e íamos buscar num chafariz comunitário do Seu
Zeca, assim como todos na avenida.
Tinha
a vendinha de Seu Francisco, onde ele vendia as coisas a granel e para alguns,
fiado. Tudo anotado em sua famosa caderneta.
Na
rua detrás, havia um Senhor João que vendia leite de gado, carvão e outras
iguarias. Daí veio o nome Bêco João do Boi, porque ele também vendia porcos,
peixe e bois da roça dele.
Nas
datas cívicas e religiosas, no carnaval, todos participavam enfeitando o Bêco,
fazíamos os quitutes gostosos da época.
Lembro
que havia uma certa discriminação em relação às outras ruas, como moradores do
conjunto IAPTEC, Rua do Céu, Rua da Glória, Cosme Moreira, Henrigue Dias, etc.,
porque morávamos num “bêco”.
Mas
a garotada não se convencia não. Tanto íamos brincar por lá, como eles vinham
prá cá.
Nossa
Avenida ficava perto de tudo: Igreja do Bonfim, Sesi, praia da Av. Beira Mar,
do Largo do Papagaio, das escolas, da Praia da Boa Viagem, da Ribeira.
Eu
estudei na Escola Vítor Soares, Alfredo Amorim, Pedro Álvares Cabral, Colégio
Estadual Costa e Silva, João Florêncio Gomes e, por fim, no Luís Tarquínio,
pois queria fazer e fiz Técnico em Administração. Tudo era perto e nós todos
íamos caminhando, não precisava de ônibus.
Eu
participava nessas escolas do coral, educação física, maculelê, basquete,
bandas marciais, teatro, música.
As
crianças eram criativas na confecção de brinquedos pois nossos pais não podiam
comprar industrializados. Mesmo assim era só alegria.
Ah,
e fui Bandeirante também. Aprendi muito mais coisas, inclusive de sobrevivência
na mata, aprendi a armar barraca, praticávamos eventos solidários como visitas
aos abrigos de velhos, levando alegria e lanches, vendíamos biscoitos nas
residências para arrecadar para nossas viagens de acontonamento e acampamentos.

O portão amarelo foi colocado recentemente na entrada da Avenida de casas. O sobrado do lado esquerdo era a casa de D. Angelica e tinha um jardim grande na frente com muro de madeira, onde a criançada podia brincar com segurança!
ResponderExcluirBoa tarde Selma!Morei na Santo Titara atrás da igrejinha e em frente à Rua da Mangueira, 139. Estudei no Pedro Álvares Cabral entre 1973 e 1975, entre o 2º e 4º ano primário. Nunca encontrei colegas da época. Não sei se vc é da minha época, mas fica a informação caso seja útil para reencontros. Sds!
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